Resumo

Com setor da construção aquecido, parcerias público-privadas aparecem como grande motor de contratação de empresas e projetistas; profissionais alertam para importância de qualificações da contratação pública visando sucesso das obras

Um dos painéis mais movimentados da 8º edição do Congresso Internacional A ERA BIM aconteceu em oportunidade mediada pelo presidente do Sinaenco, Russell Ludwig, durante o segundo dia do evento. A mesa redonda reuniu Artur Henrique Evangelista Carvalho, da Motiva Rodovias, e Gustavo Coelho Rodrigues, da Concessionária Linha Universidade, e se destacou por revelar grandes oportunidades de negócio para o setor da Arquitetura e Engenharia Consultiva (AEC), devido à robustez e potencial de expansão dos projetos apresentados.

 

Gustavo Rodrigues apresentou os trabalhos da Concessionária Linha Universidade – o grupo gerido pela empresa será não só responsável pela construção da Linha 6- Laranja do metrô de São Paulo, mas também por sua operação nos próximos 19 anos. “São 15 km de linha, 15 estações, 3 terminais de ônibus e 22 trens. A linha é 100% subterrânea e extensa, uma operação extremamente complexa que hoje conta com 38 frentes de trabalho simultâneas e mais de 10 mil profissionais contratados”, detalha Gustavo.

 

Segundo ele, além da alta demanda por profissionais já na fase atual, existem grandes oportunidades em diversas frentes. Para as concessionárias, ele pontuou que outras linhas ferroviárias devem ser construídas em São Paulo, o que surge como oportunidade direta de negócio. Para o setor da AEC, ele destacou também a dimensão 7D do BIM, de manutenção do ambiente construído, um enorme desafio diante da grande quantidade e complexidade dos ativos geridos. Por fim, ele mencionou a expansão do projeto da linha 6-Laranja, que está em discussão e pode ser aprovado em 2026.

 

Já Artur Carvalho, da Motiva Rodovias, detalhou como a empresa tem buscado qualificar a gestão de fornecedores do negócio, especialmente considerando as necessidades em BIM dos projetos. “A Motiva tem 12 concessionárias espalhadas pelo território brasileiro e mais de 300 obras sob gestão. Com o mercado de engenharia aquecido, fornecedores com grande fluxo de trabalho e demanda por mão de obra qualificada, temos optado por uma política de atrair, desenvolver e fidelizar fornecedores, promovendo mecanismos que viabilizem relacionamentos estratégicos, como por exemplo a remuneração diferenciada por desempenho”, aponta o profissional.

 

Ele conta que o grande motor do desenvolvimento do BIM na Motiva foi justamente as movimentações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da (Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São Paulo) Artesp, que estabeleceram contratos que previam o uso de BIM de forma clara para os anos seguintes. Com a agência paulista, aliás, está sendo desenvolvido um modelo de gêmeo digital extremamente desafiador, que integra mais de 21 sistemas.

 

O papel do contratante na licitação pública

O papel desempenhado pelas agências reguladoras, mencionado pelo profissional da Motiva, também foi considerado por Rita Giamo, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), que dividiu o painel “Contratações públicas em BIM” com Leticia Weijh, da TPS Engenharia, Mônica Sarraff, da LBR Engenharia e Consultoria, e Rosângela Castanheira, da Tríade Engenharia de Custos.

 

Rita defendeu que o contratante seja o protagonista na definição dos requisitos do uso do BIM nas licitações e obras públicas, já que ele é o maior interessado em compreender o propósito da instituição e as necessidades de dados para a operação e manutenção daquele empreendimento a longo prazo. “O contratante deve atuar como gestor estratégico e autoridade nos requisitos de informação, propondo claramente a especificação dos entregáveis BIM, que deve ser propositada e quantificável”, defendeu ela.

 

Durante o painel, a mediadora Mônica Sarraff ainda apresentou um estudo de caso destacando o quanto a falta de conformidade do uso do BIM em um projeto poderia impactar os erros durante o período de execução de obras, enquanto Leticia Weijh demonstrou as estratégias e padronizações adotadas pela TPF Engenharia para tocar projetos públicos quando esses requisitos não eram definidos pelo contratante já na licitação. Por fim, Rosângela Castanheira ressaltou a importância de, para além de documentações e especificações, preparar e capacitar os profissionais à frente das etapas, para garantir que a prática siga a teoria durante o desenvolvimento dos projetos.