Resumo

Novidades no novo plano de disseminação do BIM para o triênio 2025-2027 são apresentadas no 8º Congresso Internacional A ERA BIM; atualizações das normas internacionais do buildingSMART Brasil também são destaque

O 8º Congresso Internacional A ERA BIM já se consolidou como um dos principais eventos do setor de Arquitetura e Engenharia Consultiva (AEC) sobre o Building Information Modelling (BIM). Por essa razão, o congresso também funciona como um grande termômetro da evolução do BIM no país, reunindo expoentes da iniciativa pública, privada e da academia e dando o tom dos caminhos já percorridos e que estão por vir na transformação digital da AEC.

 

No contexto governamental, e diante da nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), que define o uso preferencial do BIM nas contratações públicas, o cenário é de priorização da disseminação do modelo, visando fechar o gap de maturidade que cerca as esferas federal, estadual e municipal na adoção da tecnologia. Giovana Barreto, do Ministério de Gestão e Inovação de Serviços Públicos do Governo Federal, explicou que esse trabalho será feito com base em três eixos.

 

“São três premissas principais: estruturar o setor público para a contratação em BIM, em conformidade com nova Lei de Licitações; aproximar a política educacional das necessidades da indústria; e por fim, criar condições para aumentar os investimentos em PDI e promover o desenvolvimento sustentável da indústria da construção”, explicou.

 

Durante sua apresentação, que conduziu em parceria com Marfisa Castro, da central de compras do mesmo Ministério, Barreto se debruçou sobre o primeiro eixo, de estruturação do setor público, mencionando e explicando sua divisão em diversos grupos de trabalho. Uma das ações em andamento é a redação de uma minuta normativa para o artigo 19 da Lei de Licitações – dando mais clareza ao que de fato é determinado pela lei quando são mencionadas as contratações em BIM.

 

Outras iniciativas de destaque são um guia de diretrizes para a contratação em BIM e um portal de obras públicas, onde o Ministério pretende centralizar tudo o que envolve a temática de obras e construções. “Nele, o gestor pode procurar informações sobre legislação, normas, projetos de referência, eventos e capacitações, tudo centralizado em um só lugar. Percebemos que muitos gestores públicos não sabem por onde começar, e achamos que este é um bom ponto de partida”, afirmou Barreto.

 

Ela também mencionou a criação de um Ambiente Comum de Dados (CDE) a partir de 2026, envolvendo dois sistemas estruturantes na gestão de obras públicas no país: o Transfer GOV, plataforma através da qual os estados e municípios recebem os recursos federais, e o Obras GOV, plataforma integrada de registro obrigatório de projetos que envolvem o uso de recursos públicos.

 

Castro complementou mencionando os inúmeros desafios em BIM enfrentados pelas diferentes instâncias do poder público — dos 94 mil projetos mapeados, pouco mais de 1% conta com algum uso do BIM. “Não é só contratar em BIM, é ter toda uma infraestrutura para suportar: pessoas capacitadas, bons equipamentos, softwares atualizados com uso de IA, serviço de nuvem apto a receber esse conjunto de dados. É um investimento alto”, ponderou.

 

Ela mencionou ainda que a central de compras do Ministério estuda um projeto chamado BIM360 para padronização e centralização da contratação de soluções BIM para órgãos públicos, visando apoiar em especial os municípios cujo grau de maturidade na adoção do BIM é mais baixo.

 

Capítulo brasileiro da buildingSMART e arcabouço normativo em ascensão

Enquanto o Governo Brasileiro avança na disseminação do BIM, outras entidades seguem acelerando o modelo no contexto estrutural do país. A buildingSMART Brasil, nascida por iniciativa do BIM Fórum Brasil, completa seu segundo ano em plena atividade, promovendo o operaBIM (abordagem aberta, colaborativa e padronizada do uso do BIM) e fomentando conexões no cenário internacional de desenvolvimento do modelo, conforme apresentou o seu diretor técnico, Sérgio Scheer.

 

“Agora, somos uma comunidade de mais de 200 profissionais. A missão da buildingSMART Brasil é a mesma da Internacional: promover a interoperabilidade, inovação digital, padrões abertos e a colaboração setorial. Temos uma rota de aprendizagem contínua, todos podem participar”, afirmou ele.

 

Parte dos profissionais que integram a buidingSMART Brasil estão envolvidos das discussões globais das normas BIM a serem encaminhadas à International Organization for Standardization (ISO). Quando consolidadas, elas tornam-se padrões globais de adoção do BIM, futuramente traduzidos e cascateados para os demais países. Durante a sua apresentação, o arquiteto e urbanista João Gaspar, coordenador da Comissão de Estudos Especiais (CEE-134) da ABNT (que é responsável pela tradução das normas ISO relativas ao BIM no Brasil), explicou o avanço deste cenário nacional e internacionalmente.

 

“Em 2025, tivemos o lançamento de uma nova norma ISO sobre GIS, as partes 4 e 5 de uma norma sobre estrutura de dados para catálogos eletrônicos de produtos, além da parte 6 sobre segurança da norma 19650, que é a mais famosa, para a qual já estamos trabalhando na tradução no Brasil”, explicou. “Sobre esta norma, a ISO já está fazendo a próxima versão, que provavelmente vai ter 3 partes”, informou o arquiteto.