Demi Getschko destaca marcos e desafios da conectividade no 8º A ERA BIM

Demi Getschko destaca marcos e desafios da conectividade no 8º A ERA BIM

Calendário 02/12/2025

Resumo

Pioneiro na chegada da internet ao Brasil, engenheiro aprofundou marcos, conceitos e características da evolução da comunicação digital no país e no mundo.

O 8º Congresso Internacional A ERA BIM contou com uma presença ilustre durante o seu primeiro dia de palestras: o pioneiro da internet no Brasil, Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e único brasileiro homenageado com a inclusão no “Hall da Fama da Internet”.

 

O engenheiro revisitou a trajetória da rede mundial e seu avanço no Brasil, e esclareceu pontos sobre as atuais discussões de regulação da “internet”, desvendando o que está por trás da grande base que dá acesso às sofisticadas tecnologias a que a sociedade tem acesso atualmente.

 

Getschko começou a sua palestra destacando como a evolução da internet ocorre em ciclos de concentração e descentralização. Segundo ele, seu desenvolvimento ocorre uma espécie de “gangorra”: tecnologias inicialmente centralizadas se disseminam, tornam-se acessíveis e, mais tarde, voltam a se concentrar.

 

“Primeiro, os computadores eram raros e caros, acessíveis apenas em centros especializados. Com a popularização dos PCs, o poder de processamento chegou à mesa de cada usuário, até que, com a ascensão das redes sociais e serviços em nuvem, ocorreu uma nova centralização, agora baseada em dados e plataformas digitais”, avaliou ele.

 

 

As reflexões de Getschko têm paralelo com a transformação digital na construção civil. O avanço do BIM (Building Information Modeling) segue lógica semelhante: antes restrito a equipes altamente especializadas e sistemas poderosos, hoje se dissemina por escritórios de todos os portes — mas volta a se concentrar em plataformas integradas na nuvem, onde modelos, dados e simulações são centralizados para aumentar eficiência.

 

A história da internet

Ao relembrar a origem da internet, Getschko destacou que a Arpanet, criada no fim da década de 1960 com financiamento militar, nasceu em um ambiente culturalmente marcado pela contracultura e pelo espírito acadêmico. Embora sustentada por recursos de defesa, sua arquitetura essencial — descentralizada, resiliente e sem um centro de controle — refletia esses ideais. Ele ressaltou que tecnologias hoje amplamente utilizadas, como o GPS, também surgiram desse mesmo ecossistema de inovação.

 

O pesquisador também explicou o contexto e processo de chegada da internet ao Brasil. “No fim dos anos 1980, pesquisadores brasileiros perdiam a conexão com seus orientadores estrangeiros ao retornar ao país, o que gerou uma pressão no ambiente nacional para a integração às redes acadêmicas internacionais”, contou ele.

 

Ele destacou como pesquisadores envolvidos em instituições acadêmicas foram responsáveis por se conectar à Bitnet e, posteriormente, à Internet, culminando na adoção dos protocolos TCP/IP em fevereiro de 1991. Segundo ele, a criação do domínio “.br” seguiu um modelo colaborativo entre operadores de rede, e hoje segue sendo um dos domínios de uso mais acessíveis do mundo.

 

Para Getschko, a força da internet está em sua natureza de “rede de redes”. O Brasil, segundo ele, é hoje o segundo país com mais sistemas autônomos, resultado de um esforço para aumentar a resiliência da infraestrutura nacional. Essa arquitetura garante que a rede funcione sem um ponto único de falha e preserva o caráter neutro dos protocolos que transportam, indistintamente, “um pedaço de uma piada ou de uma lei”. Ao comentar sobre regulação, Getschko argumentou que “não se regula a internet, mas sim o que opera sobre ela”, ressaltando a importância de separar o ambiente do que cresce sobre ele.

 

Sobre Inteligência Artificial, o engenheiro lembrou que o conceito é antigo e que, após sucessivos “invernos”, vive agora uma fase de maturidade e permanência, impulsionada pela capacidade de processamento atual. “O futuro da internet é tornar-se invisível. Algo tão profundamente embutido no cotidiano que deixa de ser percebido”, projetou.

 

É interessante notar como graças a essa maturidade, a IA e outras tecnologias disruptivas estão reformulando o setor de Arquitetura e Engenharia Consultiva (AEC). Tal como a internet “invisível” descrita por Getschko, a tecnologia tende a ser parte indissociável dos fluxos de projeto e obra, embutida nos softwares e sistemas de gestão do ambiente construído, redesenhando práticas e decisões sem que o usuário perceba a imensa complexidade por trás dessas tecnologias.