Pesquisa Unicamp avança na criação do HIDS, distrito de inovação de quarta geração

Pesquisa Unicamp avança na criação do HIDS, distrito de inovação de quarta geração

Calendário 05/12/2025

Resumo

Gabriela Celani explica como a universidade se prepara para construir um território de conhecimento voltado ao desenvolvimento de soluções urbanas inovadoras.

O segundo dia da 8ª edição do Congresso Internacional A ERA BIM foi encerrado com destaque para a apresentação de Gabriela Celani, arquiteta, urbanista e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sua fala abordou os territórios de conhecimento urbano como espaços estratégicos para o estudo, teste e validação de soluções inovadoras e sustentáveis para as cidades.

 

Celani apresentou o trabalho que vem sendo conduzido por um grupo multidisciplinar de pesquisadores do Centro de Estudos para Urbanização, Conhecimento e Inovação (CEUCI) para o desenvolvimento do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS). O projeto prevê a implantação de um território de conhecimento em uma fazenda adjacente à Unicamp, adquirida recentemente pela universidade.

 

“Essa região já é reconhecida desde os anos 90 como um polo tecnológico de Campinas. Por meio de uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e um fundo coreano, obtivemos recursos para pensar um master plan para a área, voltado não mais a um parque tecnológico, mas a um distrito de inovação. Identificamos aí uma oportunidade de pesquisa, já que, no Brasil, não havia grupos estruturados dedicados especificamente a esse tema”, explicou a pesquisadora.

 

Segundo Celani, o CEUCI tem realizado estudos teóricos e visitas técnicas a diversos distritos de inovação e parques tecnológicos ao redor do mundo, buscando compreender as características e premissas de infraestrutura urbana necessárias para esse tipo de território.

 

“Nosso objetivo é reunir um corpo de conhecimento e fomentar um diálogo nacional e internacional sobre áreas urbanas do conhecimento, especialmente em regiões de franja urbana — onde há maior disponibilidade de terras ainda sem uso, adequadas para grandes infraestruturas, como laboratórios”, destacou.

 

Celani acrescenta que o CEUCI trabalha a partir de um novo paradigma de desenvolvimento urbano: ao estimular a produção e a circulação do conhecimento em uma região, é possível promover desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental, justiça socioespacial e boa governança.

 

Ela apresentou ainda a evolução das gerações de distritos de inovação. “A primeira geração buscava aproximar empresas das universidades. A segunda estruturou parques tecnológicos formados por indústria e academia, organizados por governos locais. A terceira surge quando a cidade passa a acolher funções de conhecimento, muitas vezes a partir da revitalização de antigas áreas industriais. Na quarta geração, a mais recente, entram em cena a sustentabilidade ambiental e a vitalidade urbana — criar espaços onde as pessoas possam circular, com cafés, restaurantes e vida ativa, estimulando a retenção de talentos e a produção de conhecimento.”

 

Com essa base, o grupo tem desenvolvido estudos sobre as aplicações práticas para o HIDS, que incluem algoritmos para avaliar a “vitalidade” de projetos urbanos, modelos BIM com simulações de circulação de pedestres e iniciativas de economia circular, como sistemas de compostagem de resíduos alimentares. Também está em análise a adoção de uma tecnologia da startup INFRACITIES, que utiliza plástico reciclado em novas soluções para calçadas, com foco no conforto do pedestre e na drenagem eficiente das águas pluviais.

 

Para Celani, territórios de conhecimento funcionam como uma espécie de “cidade artificial”, ideal para a aplicação prática dos chamados Urban Living Labs — espaços reais usados para testar tecnologias e soluções que posteriormente podem ser replicadas em outras áreas urbanas. “Devido à insegurança jurídica que muitas vezes decorre da falta de embasamento técnico, é mais difícil testar essas soluções diretamente nas cidades. Territórios de conhecimento são, portanto, o melhor ambiente para experimentar novas propostas para o espaço urbano”, concluiu.